Amar sem ser amado, se não é sofrer é o que? Burrice. Quem não me ama não me merece...

Nem todo o orgulho do vosso sexo pode diminuir o abismo que há entre nós...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Espelhos



Se ainda sei o que fazer?
Não.
Ouço a canção repetindo que “aqui não tem Village, rua 42..”
E me pergunta vez por vez
“Me diz pra onde é que é que você vai depois?”

Rolando os dados que me foram impostos
Menina aí do espelho o que fizeram com você?

Apenas olho pra traz
Contemplando a última cartada
O último selo
Em pequenos pedaços
Sou agora o que eu nunca quis e aquele que sempre amei
Sou pedra,
Sou fogo
Sou céu
Sou hell

Sou apenas Mercúrio
Atirando pra todos os lados
Vendo a menina dançar em trilhos empoeirados de trens  abandonados
Pulando acima do pôr-do-sol
Chutando os continentes
Mas presa do outro lado
Por uma camada de prata e alumínio
Vivendo apenas na lâmina daquele vidro

Não me acuse, não me culpe
Não se entristeça por mim
Veja que entre o “eu” e o “nós dois”
Não há dúvidas na escolha

Garoto Mercúrio te julguei muito mal
Não entendi que era da sua natureza
E pior, não vi que minha natureza era igual
Como um vício
Como um veneno
Que passa e destrói desfazendo-se em prazer
E inebria
E mata

Junto aqui os pedaços que fiz para você e pra mim
Mary, the lost child
Enfim ela se encontrou

Mas não gostou do que viu

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Urbe sitiada


Explodindo granadas de civilidade
Enquanto chora a solidão
De um mundo tão cheio

Sonhando com liberdade
De tomar prédios e derrubar torres
E caindo
E levantando
E derrubando os outros
E procurando o que não, não se sabe..
Nunca se sabe..

Pessoas cercadas de vazio
Ou vazio cercado de pessoas?

Tantos corpos, tantas marcas
Tantas explicações e uma só ferida
A máxima ácida de um sarcasmo vão

----- BLACKOUT -----

O escuro
Os gritos na rua
Somente o profundo de uma vida sem luz
Somente as mentes a labutar a arte
Da guerra
Da terra
Da reza
Da treva

Urbe sitiada
Urbe viciada
Urbe insaciada
Apenas vazia

E a máxima ácida de um sarcasmo vão

"Ele pulou de pára-quedas, mas o pára-quedas não abriu..
Ele não abriu."


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Novos fins



E quando o começo parecer o fim?
Nuvens pesadas de um futuro próximo
a incerteza do que virá
não assusta mais
não tanto assim

Naquele dia faltou luz
nos sentamos no alto do último andar
balançando os pés pro nada que havia em baixo

O que sobrou de nós?
O que se fez de nós desde então?

Era o fim mas parecia começo
Era apenas o começo partindo do mesmo fim

Hoje revejo estas linhas
escritas há tanto tempo
quantas lembranças em poucas palavras

Ah! O fim chegou
E passou
Avassalador.
Dizem que o tempo muda as coisas, fecha as feridas
Anestesia a dor

Ah! Hoje revejo estas linhas, revivo as lembranças gravadas nelas
Penso em como terminá-las sem encerrá-las de vez

As nuvens pesadas chegaram
O tempo não curou as feridas
Não secou as lágrimas
Não estancou a dor

E quando o fim for só o começo?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Tudo e O Nada



Você será o mesmo?
É claro que será
Sempre atirando para outros lados... até cansar

Eu ainda estarei por aqui, você sabe
Mas eu não sou mais a mesma
"Tão pouco tempo para mudar"

Você não sabe Tudo
Você sabe sobre o Nada
Nada disse
Nada fez
Nada sentiu
E eu...

Eu não sei quem você é
Nem você
Perdido, perdido
Como filhote longe do ninho
Que pena! Não sou sua mãe.

Quem és?
Um apanhado de Tudo
Resumo do Nada

Tantas coisas
Tantos gestos
Tantos jeitos
Tantos versos...
Você os merecerá?

"Quem és?"

Um impulso para a minha queda
Um suspiro para o meu fim

Mas eu amo o caminho que faz com que o mundo
Gire

Estou em busca de Tudo
Você só pode me oferecer o Nada

Desculpe Garoto Mercúrio
Se começo a quebrar as cordas

Tente consertá-las e eu serei
O arrepio no seu pescoço
O último para a sua queda

Serei o corpo nu
Em outros braços, não os seus

O fim.

O seu Tudo

Apenas Nada.

sábado, 24 de julho de 2010

O dia



Como vai ser depois disso aqui?
Camo vai ser depois que tudo passar?
Tento viver um dia por vez
Mas as coisas me fazem chorar mais
E mais

Como será quando eu olhar para tráz?
Como será quando eles estiverem no meu lugar?
Rodando o ciclo
Seguindo o caminho
Seguindo a minha estrada

E eu não estarei lá
"- Papai está doendo tanto..."

Você diz pra eu não chorar mais
E mais
Eu sempre poderei tentar embora saiba
A única coisa que me restará
Será a lembrança

"Que dia estranho Papai"

O circo está armado
O Cerco está quase fechado
Não nos restam muitas escolhas, não é?

Saltaremos do Campanário?
Mergulharemos enfim
Mas quando o chão estiver bem perto
Aposto como nossas asas se abrirão

"As minhas estão tão machucadas, pai
E eu ainda vôo sobre os oceanos...

"Garota Teimosa"
- Pirraça o mundo com suas asas cansadas -

Não diga que é só mais uma fase
Não diga que logo vai passar
Não diga

" - Filha, não chore"

" - Mas papai está tão escuro lá fora..."

" - Filha"
A claridade do dia é apenas o intervalo na escuridão de duas noites

"Chore e me abrace quando quiser"

- Tudo bem, papai...
Tudo Bem...