Se ainda sei o que fazer?
Não.
Ouço a canção repetindo que “aqui não tem
Village, rua 42..”
E me pergunta vez por vez
“Me diz pra onde é que é que você vai depois?”
Rolando os dados que me foram impostos
Menina aí do espelho o que fizeram com você?
Apenas olho pra traz
Contemplando a última cartada
O último selo
Em pequenos pedaços
Sou agora o que eu nunca quis e aquele que sempre amei
Sou pedra,
Sou fogo
Sou céu
Sou hell
Sou apenas Mercúrio
Atirando pra todos os lados
Vendo a menina dançar em trilhos empoeirados de trens abandonados
Pulando acima do pôr-do-sol
Chutando os continentes
Mas presa do outro lado
Por uma camada de prata e alumínio
Vivendo apenas na lâmina daquele vidro
Não me acuse, não me culpe
Não se entristeça por mim
Veja que entre o “eu” e o “nós dois”
Não há dúvidas na escolha
Garoto Mercúrio te julguei muito mal
Não entendi que era da sua natureza
E pior, não vi que minha natureza era igual
Como um vício
Como um veneno
Que passa e destrói desfazendo-se em prazer
E inebria
E mata
Junto aqui os pedaços que fiz para você e pra mim
Mary, the lost child
Enfim ela se encontrou
Mas não gostou do que viu





